sexta-feira, 24 de junho de 2016

Festas juninas

A alegria, marca das festas populares, é também uma virtude cristã, pois Deus quer filhos felizes e alegres, mesmo em meio a tantas dificuldades pelas quais passa nosso povo. Por isso, São Paulo insistia: "Alegrai-vos, mais uma vez exorto, alegrai-vos"! Que as nossas comunidades saibam valorizar as festas juninas como serviço à fraternidade e como manifestação autêntica da verdadeira alegria.

O que caracteriza estas festas é que elas, apesar da mudança de época, em geral mantêm a pureza e a beleza iniciais, desafiando modismos ou inovações. Ainda hoje são celebradas com entusiasmo, com comidas e bebidas típicas, com trajes caipiras e danças, sobretudo da quadrilha, sendo eloquente expressão de convivência e de fraternidade, apanágios fundamentais para o escopo da sociedade humana em que somos convidados a viver em harmonia e a construir a paz e o respeito mútuo. Podem variar um pouco conforme a região do país, mas têm muitos traços comuns.

São vários os símbolos dessas festas, mas os mais comuns são: a fogueira – criada desde os tempos mais antigos para agradecer pela fertilização da terra e pelas fartas colheitas. Além disso, por manifestar tanto o bem quanto o mal; o bem por representar a criação, a luz, e o mal por ser um elemento destruidor.

Os balões foram criados para lembrar as pessoas do início da festa. Porém, essa prática deu início a grandes incêndios, e passou a ser proibida. Hoje existe uma lei que proíbe o uso dos mesmos, a fim de evitar maiores acidentes. As bandeirolas surgiram por causa dos três santos: São João, Santo Antônio e São Pedro, onde estes eram pregados nas bandeiras para serem admirados durante a festa. Assim, passaram a fazer bandeirinhas pequenas e coloridas para alegrar o ambiente da festa.

Os fogos de artifício são usados para festejar e chamar a atenção para o momento alegre. A quadrilha, a dança típica, é uma forma de agradecimento pelas boas colheitas feita aos santos juninos.

As comidas típicas também são símbolos juninos, como forma de agradecimento pela fartura nas colheitas, principalmente do milho. A festa se tornou farta em seus deliciosos quitutes.

As festas juninas vieram para o Brasil na época da colonização, trazidas pelos portugueses. São de origem francesa, por isso nas danças aparecem várias palavras nessa língua.

A Conferência de Aparecida ressalta que “Em nossa cultura latino-americana e caribenha conhecemos o papel tão nobre e orientador que a religiosidade popular desempenha, especialmente a devoção mariana, que contribuiu para nos tornar mais conscientes de nossa comum condição de filhos de Deus e de nossa comum dignidade perante seus olhos, não obstante as diferenças sociais, étnicas ou de qualquer outro tipo”. (DAp, 37).

Os bispos em Aparecida reforçaram o respeito pela religiosidade popular e pedem a valorização por estas bonitas expressões: “Esta maneira de expressar a fé está presente de diversas formas em todos os setores sociais, em uma multidão que merece nosso respeito e carinho, porque sua piedade reflete uma sede de Deus, que somente os pobres e simples podem conhecer. A religião do povo latino-americano é expressão da fé católica. É um catolicismo popular, profundamente inculturado, que contém a dimensão mais valiosa da cultura latino-americana”. (DAp, 258).

Que possamos celebrar este mês com toda alegria e fé, pois estas confraternizações aumentam em nós a capacidade e o cultivo da cultura do encontro. Também uma virtude cristã, pois Deus quer filhos felizes e alegres, mesmo em meio a tantas dificuldades pelas quais passa nosso povo. Santos juninos, intercedei por paz para o nosso país!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Santarém: Te lembras?

-do Cinema Olímpia, do “seu” Loureiro, exibindo filmes seriados de “bangue-bangue”, com a Corina vendendo os ingressos e o Reginaldo eo Edmundo na portaria?

-das professoras Agripina Matos, Hilda Mota, Zulmira, Edith e Beth Bemerguy, Teresa Miléo, Gersonita Imbiriba Carneiro, Celeste Guerreiro, Dalva Bezerra Coelho, Maria Luiza Mendonça, Hermínia Simões, Delzuita e Lucíola Freire, Rosilda Wanghon, Nazaré Demetrio, Helena Lisbôa, Teresinha Corrêa, Sofia Imbiriba, Zuzu e Delfa?

-dos professores Nicolino Campos, Emir Bemerguy, Antônio Pereira, Rodolfo Carneiro, Antônio Veloso Salgado (Ninito), Olindo Neves, Francisco Pereira e Reinaldo Teixeira Fernandes?

-da agência de aluguel e consertos de bicicletas do Maurício Castanho e Getúlio Serique?

-do automóvel Nash Super, cor verde claro, de proprriedade do Dácio Campos e dirigido pelo Lourival (Lauri) Wanghon?
-do Estaleiro Juca Figueira, do Raymundo Figueira?

-do programa “Correspondente E-29”, da Rádio Rural, transmitindo mensagens para o interior, tipo: “Atenção Antônio Calça Curta, no garimpo Crepurizinho: se você puder, mande logo um dinheirinho porque aqui em casa está faltando tudo, estamos mendigando comida dos vizinhos, a situação está ruim... só vendo. A tua filha Joseane pegou um sarampo de lascar. Gastamos muito e estamos devendo na farmácia e na taberna do Neco. Não vai gastar dinheiro com as raparigas. Bote juízo na cabeça. Um abraço da tua mãe Carmem.”- ?

-do Cinema São José, do Antônio Loureiro Simões (Simõesinho)?
-dos irmãos da Santa Cruz: Genardo, Ricardão, Júlio, Francisco, Paulo, Ernesto, Jaime, João, Norberto, Tomé, Geraldo, Kevin, Edwin, Leonardo, Ronaldo, Haroldo e Guilherme e Zé Ricardo?

-das “irmãs” Felicitas, Balbina, Júlia, Canisia, Sabina, Consolata e madre Epifânia, do Colégio Santa Clara?

-dos bispos Dom Amando, Dom Anselmo, Dom Floriano e Dom Tiago?

-dos religiosos da igreja católica: “frei” Domingos, Vianey, Prudêncio, Nestor, Rogério, Hugo, Plácido, Vitorino, Otmar, Juvenal, Severino, Tadeu, Osmundo, Vicente, Anselmo e padre Manoel Albuquerque? E do pastor Sóstenes Pereira de Barros, da Igreja Batista, e primeiro diretor do Colégio Alvaro Adolfo da Silveira?

-dos advogados: Nestor Miléo, Silvério Sirotheau Corrêa, Ubirajara Bentes de Souza, Alarico Barata, Amando Homem e Alberico Nóvoa?

-dos médicos: Haroldo Franco, Wilson Maia, Everaldo Martins, Martorano e Aloísio de Andrade Melo?

-dos caminhões pau-de-arara do Manoel Rufino e Manoel Mota, transportando cargas e passageiros no trecho Santarém/Belterra/Santarém, com parada no bar/lanchonete da Dona Mariana, na colônia Morada Nova, onde era servido saboroso café com broa e tapioquinha ?

-dos barcos “O Mocorongo” (do Bibito Campos), “Santa Maria” (do Leonel Neves), “Lago Grande” (da família Corrêa), “Corjesu” (dos padres franciscanos), “Líbano” (do Nicolau Demetrio), “Deoclécio” (do Raimundo Figueira) e “Frazão” (do Humberto Frazão) ?

...dos estabelecimentos comerciais “A Primavera” (dos Faria), “Loja Malheiros” (do Vicente Malheiros), “A Curiboca” (do Joaquim Duarte), “A Violeta” (do Elias Hage e Servulo Matos), “Casa Elza” (do Nicolau Demetrio), “Casa Martins” (do Joaquim Martins), “Casa Matos” (do Domingos Matos), “Casa Coêlho” (do Alfredinho Coêlho), “A Pernambucana” (gerenciada pelo Moacir Lopes), “A Graciosa” (do Almerindo Ferreira); “Foto Santarém” (do Vidal Bemerguy), “Casa Vitória” e “Padaria Vitória” (dos Coimbra), “Sapataria Selma” (do Duquinha Cardoso), “Casa Miléo” (dos Miléo), “Casa Bôa Esperança” (do Tuji), “Depósito Americano” (do Maurilio Marques), “Casa Mimi” (do Joaquim Pereira), “Canto Redondo” (dos Corrêa), “Casa Liebold” (do João Liebold), “Casa Popular” (de Elizabeth Lopes), “Casa Laranjeira” (do Laranjeira, aquele que só andava de bicicleta), “Foto Iracema”(do Bernardo Keuffer), “Casa Nova Aurora" (do Miguel Berbary), “Café do Povo” (do Severino Frazão) e “Empresa Universal” (do Carlos Monteiro) e "Padaria Luci" (do Joaquim Gonçalves) ?

-da SUCAM, com o Petronilio Oliveira comandando uma equipe de “guardas mata-mosquito” que borrifava periodicamente os imóveis residenciais e comerciais ?

-das farmácias “Veloso” (do Mingote, Ninito e Carlito), “Do Povo” (do Vicente Miléo e “Matos” (do Otaviano Matos)?

-das debutantes de 1979, do Centro Recreativo: Ana Consuelo de Mendonça Cerqueira, Elizabeth Lopes Lisboa, Susan Milene Serruya, Leonor Esmeralda Cohen Dias, Rosana Lima da Silva, Cristiane Maria Alencar de Oliveira, Sebastiana Lúcia Lobato de Almeida, Maria do Perpétuo Socorro Almeida Fernandes, Silvia Maria Neves Vasconcelos, Kelma Vieira Régis de Souza, Maria Beatriz Iida Imbiriba, Rosana Cristina Oliveira Lobato e Célia Carolina de Vasconcelos Wanghon?

-da fábrica de mosaicos do português Carlos Monteiro?

-das ventarolas de patchuli confeccionadas pela Dona Dica Frazão; dos quadros pintados pelo João Fona e dos sapatos feitos sob medida pelo “mestre” Balão?

-da Companhia Brasileira de Agricultura (CBA), no alto da serra do Piquiatuba, dirigida pelo Joaquim Lopes?

-dos hotéis “Mocorongo”, “Oriental”, “Nova Olinda”, “Modêlo”, “Uirapuru” e pensão da madame Odete?

-das debutantes de 1967, do Centro Recreativo: Betânia Duarte, Erlinda Neves, Wirley Vieira, Graça Cabral, Aldanita Loureiro, Djelma Neves, Nazaré Vasconcelos, Zeila Diniz, Solenilda Silva, Eucely Dourado, Inês Gonçalves, Fátima Bentes Oliveira, Paula Pereira Fona, Celeste Chaves, Delma Régis, Maurizete Marques, Moema Lisbôa Machado e Alaíde Neves?.

-do “culhão completo” (dois ovos e uma linguiça) vendido pelo Zé Olaia em sua banca no velho mercado?

-dos saborosos refrescos preparados pelo Braúlio e pelo Américo, vendidos nos campos de futebol ?

-do navio Aquidaban atracando no velho trapiche, conduzindo os jovens santarenos que estudavam em Belém?

-das catraias do Preto Arnaldo, Nilo, Alonso, 16 e Maia (pai do Balanga, Cocola e Baiéco)?

-do Zeca BBC, exímio mecânico, que durante o trabalho ou nas horas de folga falava de tudo e de todos e que sempre estava disposto a ajudar as pessoas, principalmente em casos de doenças?

-dos abnegados “cartolas” do futebol: Everaldo Martins, Boanerges Sena, José Lopes e Antonio Pereira, do São Raimundo; Edenmar Machado, Otávio Pereira, Didimo Souza, José Maria Matos e Washington Gonçalves, do São Francisco; Elpidio Moura e Sabazinho Caldeira, do Veterano; João Souza e Sérgio Branco, do Flamengo; Almir Vilhena, do Náutico; Dr. Wilson Maia e Manoel de Jesus Moraes, do América; Elvio Fonsêca, Clineu e Juarez Ávila, Britão e “Pinta Cuia”, do Fluminense?

...do “Café Chique” do Anselmo Oliveira e Gito Colares; do “Bar Brasil” do Hermínio Tavares (pai do padre Raul); e do “Tapajós Bar”, do Onair?

-da quadra junina, com as fogueiras acesas em frente às casas, no leito das ruas de chão batido?

-das debutantes de 1965 do Centro Recreativo e seus paraninfos? Antonieta Frazão Merabet (Humberto de Abreu Frazão), Maria de Lourdes Coelho (Geraldo Braga Dias), Regina Maria Carvalho Silva (Jaime de Carvalho), Maria Edith Cardoso (João Vieira Cardoso), Ana Rita Pereira (Joaquim da Costa Pereira), Elza Diniz (Alberto Diniz), Fátima Quaresma (Evandro Diniz), Wilse Vieira (José Maria Matos), Selda Faria (Joaquim Gomes de Faria), Jarina Campos Pereira (Antônio Campos Pereira), Maria Lucrécia Miléo (Everaldo de Souza Martins), Filomena Bastos Cunha (Waldemar Cunha), Maria das Dores Fonseca (Wilson Dias Fonseca) e Sandra Paixão (Mimi Paixão).

-da bela e charmosa Sabá Gama (ou Tiana), musa inspiradora da música "Moça", do cantor Wando?

-dos árbitros de futebol: Roosevelt Gonçalves, Ismaelino Santos (Arara), Artur Martins, Anastácio Miranda, Miguel Coruja e Mário Borges?

-dos garçons: Itamar (Centro Recreativo) e “Ligeireza” (Bar Mascote)?

-dos “Marianos”, das “Filhas de Maria” e dos meninos da “Cruzada”?


-dos barbeiros: Noronha, Alberto, Peruano e Barbeirinho?

-dos políticos: Ubaldo Corrêa, Belarmino Paiva, Duca Moraes, Adherbal (Babá) Corrêa, José Maria Matos, Elias Pinto, Joaquim Martins, Silvio Braga, Gonçalo Ferreira Lima, Santino Sirotheau Corrêa, Armando Lages Nadler, Clementino Santana Lima, Isaias e Flamarion Serique, Paulo Lisboa, Demetrio Negrão, Elizeu Maia, Alberto Campos de Castro, José Maria da Costa, Braz de Alcântara Rebelo, Osman Bentes de Souza, Humberto Frazão, Juventino de Souza Lira, Manoel Mota, José Saraiva Macêdo, Juca Aguiar e Luiz Alexandre Valentim?


-do delicioso açaí preparado pela Dona Silvia e o seu esposo Abdon, vendido no arraial da festa da padroeira?

-da escadaria que dava acesso ao Grupo Escolar Frei Ambrósio, no alto da antiga Fortaleza?

-da Boate da Valéria? E a do Tropical Hotel?

-do “rala-rala” vendido pelo Américo Coelho na calçada da Casa Martins, localizada na rua João Pessoa, hoje, Lameira Bittencourt)?

-da charmosa e bela Gonçala Freitas, belterrense, eleita Miss Santarém e Miss Pará?

-das serenatas com as belas vozes do Machadinho, Armando Soares e Expedito Toscano, com acompanhamento de João Fona e Diorlando Pereira, violonistas; e Laudelino Silva, cavaquinista?

-dos “garbosos” rapazes do “Dom Amando” e dos “brotinhos” do Colégio Santa Clara, nos desfiles de 7 de setembro?

-da dança do boi “Estrelinha”, da Escola Carequinha?

-das festas no Centro Recreativo, principalmente o Baile das Debutantes, o carnaval e o reveillon, com as irmãs Nicota e Joanica, no “sereno”?

-do hino de Santarém – letra de Paulo Rodrigues dos Santos e música e Wilson Fonsêca (Isoca): “Santarém do meu coração ! / Terra mimosa, de paz e sonhos de amor / Santarém do meu coração ! / Lindo jardim, vivaz, canteiro do Céu todo em flôr / Santarém , princesa da luz / de praias alvas e campinas verdes, rio de anil / onde flutuam iaras mil / loucas, ao léo na onda zul / Santarém, meu Pará, meu Brasil / flor das margens virentes/ formosas, ridentes / do meu Tapajós azul / azul como o céu / quero cantar meu torrão, Santarém / terra de encantos, de amor e de luz / onde o cruzeiro sem véu espelha a sombra da cruz do céu.

-dos apelidos: Quicé, Xixito, Satuca, Ninito, Mingote, Mamá, Gigi, Dororó, Biluca, Mimico, Didó, Biló e Ximico, Alarga Rua, Caixa d’água, Babico, Manga-dura, Pimpão, Pixirito, Pojó, Xelêco?

-das festas e madrugadas no “Vai-quem-quer”, “Sombra da Lua”, “Trem”, “Fuluca”, “Corre Liso” e “Copacabana”, onde as “raparigas” faziam ponto e eram amadas nos quartos alugados pela Maria Moraes?

-dos juízes de Direito, Manoel Cacela Alves e Alvaro Elpídio Amazonas. E das juízas Albanira Bemerguy e Floracy Fonseca?

-dos povoados e vilas: Aritapera, Arapixuna, Tapará, Ituqui, Arapiuns, Boim, Curuá-Una, Lago Grande, Curuai, Marimarituba, Paracari, Mojuí dos Campos, Colônia São José, Belterra, Cajutuba, Aramanaí e Alter do Chão?

-dos craques de futebol: Balão, Noronha, Zé Maria Pretinho, Aloisio Saraiva, Anastácio Miranda (Beleza Preta), Mindó, Dudinha, Valdo Abdala, Caim, Bufalo, Cão Pelado, Manoel Maria, Afonso, Ataualpa, Nelson, Guilherme e Valério Alves, Tovica, Edson Pepeu, Jeremias, Cristóvão Sena, Táro, Manoel, João e David Moraes, Vovô, Dário Tavares, Piraca, Sujeira, Bosco, Zé Aurélio, Navarrinho, Creuso(Padreco), Galo, Cabeleira, Quicé, Dedé, Sujeira, Joacyr Lopes, Bigode, Cabecinha, Rubens (Cachorro), Cessebuta, Cangurú, Romano, Truíra, Pão Doce, Xabregas, Cuca, Surdão, Mazinho, Bosco, Estemir Vilhena, Binga, Doca, Bigorrilho, Helvécio, Pedrinho Araújo e Bimba?

-do hino do São Francisco Futebol Clube (Leão Azul), de autoria de Emir Bemerguy: “Tenho orgulho de ser “franciscano”/ e uma intensa emoção me domina/ quando vejo brilhar todo o ano/ a ardorosa torcida azulina !/ São Francisco valente de guerra/ clube eleito do meu coração/ porque teu destemor não se encerra/ nos estádios de chamam Leão!”?

-do PF(prato feito) servido nos eventos sociais, contendo uma fatia de pão-de-ló, um sanduíche, dois canudinhos, dois pastéis e uma porção de galinha com farofa?

-da escola de datilografia da dona Anita (Ninita) Fonsêca Campos?

-do interventor Elmano de Moura Melo e dos prefeitos nomeados pro-tempore: Osvaldo Aliverti, Antônio Guerreiro Guimarães e Adelerme Cavalcante?

-dos papagaios coloridos confeccionados e vendidos pelo Renato Sussuarana?

-do Castelo e do Teatro Vitória?

-da “Turma do América” (Maurílio Pinto, Solano, Arnaldo Joseph, Pachá, Márlio Cunha, Zé Camaleão, Estemir Vilhena, Licurgo, Aloísio Saraiva, Manoel e João Moraes, Vovô, Guilherme, Nelson e Valério Alves, Clementino Lima, Paca Toca, Ercio e outros) que se reunia todas as noites em um dos bancos da praça da Matriz e, depois, no Bar Mascote, e que tinha lugares cativos no Cinema Olímpia?

-das festas nas sedes do Santarém Clube, Flamengo, Veterano, São Raimundo, Sindicato dos Estivadores e na residência do Bezerrão?

-do Rai x Fran, disputado no velho Estádio Adherbal Tapajós Caetano Corrêa, sempre com a presença da Caçula, fanática torcedora azulina?

-dos jogos de futebol-pelada nos fins de tarde na praia do Trapiche, com o “gol das seis”, quando a “macaca” (valia tudo) era liberada?

-da galinha assada com farofa preparada pela Maroquita e vendida em frente à casa de festa da Fuluca?

-do bloco carnavalesco “Breguelhegue”, organizado e comandado pelo Márlio Cunha, integrado, entre outros, por: Arnaldo Joseph, Pachá, Ercio Bemerguy, Dorivaldo Rodrigues, Clementino Santana Lima, Paca-Toca, Maurilio Pinto, Zé Camaleão, Licurgo Anchieta, Guilherme Alves, Odilson Matos, Manoel Moraes, Aloisio Saraiva, Josue Monteiro, Dário Tavares, Ruth e Marlene Santos, Carlos Meschede, família Cunha (Marlidio, Marli, Marlice, José e Marlisa), cantando o hino “Lá vem, lá vem ele, trazendo a vitória na mão/ tem rapazes, tem meninos, tem mulher/ vai ver quem é/ é o Breguelhegue ! / temos o Márlio para o respeito dar/ e a turma é da fuzarca prá brincar o carnaval!”?

-do Zé Serruya, o folião mais alegre e animado nas festas de carnaval do Centro Recreativo?

-do “PAUMARI”, da Dona Bibi e dos guaranás “SACIL” - do coronel Mario Imbiriba e “IMPERIAL” - do Paulo Lisboa?

-das praias: Maria José, Vera-Paz, Pajuçara, Arariá, Salvação, Alter-do-Chão, Maracanã, Coroa de Areia, São Marcos, Ponta de Pedras, Laguinho e Mapiri, em Santarém; Pindobal e Porto Novo, em Belterra?

-dos igarapés Irurá, Urumari e Cambuquira?

-das missas dominicais na igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde existe a imagem do Cristo Crucificado, doada pelo cientista Von Martius?

-da vila de Belterra (transformada em município em janeiro de 1997), construída pela Companhia Ford Industrial, com seus imensos seringais, suas casas de madeira com sotão e frentes ajardinadas e seus times de futebol União Futebol Clube e Atlético Belterra Clube?

-das disputas de sinuca no “Café Chic” com a participação dos “cobras” Juarez, Matrinchão, Darlos e Dorivaldo Rodrigues, Raimundinho, Arnaldo Joseph e Dário Tavares e dos “amadores” Eduardo Antunes, Dário Coimbra, Joaquim Duarte e mestre Sena?

-do Malaquias, Zé Buraco e Porco exímios dançarinos, dando show no salão do “Vai-quem-quer” e da “Fuluca”?

-da ZYE-29 Rádio Educadora de Santarém (hoje, Rádio Rural), instalada pelo Frei Nestor, dirigida por Antonio Pereira, Osmar Simões, Francisca Carvalho, Frei Juvenal, Manoel Dutra, Padre Edilberto Sena, Padre Waldir Serra, Anadir Brito e Haroldo Sena, com os locutores/apresentadores Ercio Bemerguy, Edinaldo Mota, Claudio Serique, Leal de Souza, Dario Tavares, Tadeu Matos, Eriberto Santos, Edmar Rosas, Santino Soares, Ferreira Pires, Abib Bechara, Wilton Dolzanes, Natalino Souza, Walter Pinheiro, Gervasio Bandeira e os controlistas de som Tadeu e Erasmo Maia, Silvério Rodrigues, Fernando Guarany, Djalma Serique, Manolo Santos, Cesário Torres e Juredir Braga?

-do programa de auditório “Domingo Após a Missa”, na Casa Cristo Rei, transmitido pela Rádio Educadora e apresentado pelo Osmar Simões e Ercio Bemerguy, posteriormente denominado “E-29 SHOW”, comandado pela dupla Ercio Bemerguy e Edinaldo Mota, do qual participavam os cantores Wilsinho Fona, Luiz de Assis, Edenmar Machado (Machadinho), Bolero, Laurimar Leal, Ray Brito, Erasmo Carlos, Ted Max, Odilson Matos, Paulo Ivan Campos, Luiz Rodolfo Carneiro, Carlos Meschede, Dário Tavares, Nelson Machado; as cantoras Vera Silva, Fátima Oliveira, Leneide Bastos, Conceição Rebelo, Conceição Albarado, Luzinéia Cunha, Telma e Shirley Lima e os músicos José Wilson, Vicente e José Agostinho (Tinho) Fonsêca, Laudelino Silva, Mimi Paixão, Marreta, Fernando Sirotheau e Jorge Marcião?

-do Movimento de Educação de Base (MEB), com aulas radiofônicas transmitidas pela Rádio Rural e com uma competente equipe composta por Iêda Campos, Aurenice Araújo, Francisca Carvalho, João da Mata, Noélia Riker, Zuila Lemos, Miraselva Correa, Arderico Pereira entre outros(as) e que promovia anualmente, a “Feira da Cultura Popular?

-da tuba do Perilão e do saxofone do Cão Pelado?

-do carro-de-boi do Antônio Português?

-do solar dos Macambira?

-da Burra Cega?

-do Antonio Pantoja, em seu caminhão, transportando lenha para abastecer as padarias e os navios a vapor atracados no velho Trapiche?

Com essas lembranças, presto homenagem póstuma às pessoas citadas e que, infelizmente, não estão mais entre nós e àquelas, também mencionadas, que continuam, ainda, contribuindo com o seu trabalho para o desenvolvimento de Santarém e o bem-estar do seu povo.
E eu sei, meu caro leitor “mocorongo”, que você lembra de muita coisa da nossa querida Pérola, que aqui não foi registrada. Para que eu possa acrescentar/ complementar essas postagens, conto com as suas “lembranças” que poderão ser relatadas por e-mail, para este endereço: ercio.remista@hotmail.com ou pelo whatsapp (91)984174477.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Dilma e Cerveró

Em nota, a assessoria de imprensa da presidente afastada Dilma Rousseff afirmou que já foi "demonstrado que a decisão adotada pelo Conselho de Administração [da Petrobras] de compra de 50% das ações foi baseada nas informações do resumo executivo. A responsabilidade por tais informações era do diretor da Área Internacional".

Segundo o texto, o conselho somente em 2008 foi informado que os elementos necessários não tinham sido devidamente fornecidos para a tomada de decisão e que o órgão era integrado por empresários e experts de mercado, assim como por ministros do governo. "Fica claro que o Conselho de Administração não tinha como ter conhecimento dos fatos e, portanto, agiu inteiramente dentro da legalidade".

Sobre a eventual negociação com Collor para a manutenção de Cerveró, a assessoria de Dilma diz que jamais manteve esses diálogos. A nota diz ainda que Dilma jamais teve "relação de amizade com Cerveró" e que não teve conhecimento das "atividades ilícitas". Segundo Dilma, a delação de Cerveró é um "teatro montado" por uma pessoa "que não tem credibilidade e é suspeito de crimes".

Lula, Renan e Collor também negam envolvimento com os desvios na estatal. Em depoimento à PF, o ex-presidente Lula também negou influência nas indicações para a Petrobras. Renan tem dito que nunca recebeu vantagens indevidas e nem autorizou ninguém a falar em seu nome.

Veja abaixo a íntegra da nota de Dilma Rousseff.

A presidenta Dilma Rousseff jamais manteve relação de amizade com o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, embora o conheceu devido ao cargo que ocupava.

A presidenta Dilma Rousseff reitera que jamais teve conhecimento sobre as atividades ilícitas praticadas por Nestor Cerveró na Petrobras e, portanto, jamais compactuou com tais condutas.

A presidenta Dilma Rousseff relembra, ainda, que foi a Diretoria Executiva da Petrobras quem comunicou ao Conselho de Administração não ter Nestor Cerveró entregue as informações necessárias sobre as condições da compra, em 2006, de 50% das ações da refinaria de Pasadena.

Como pode ser visto na Ata da Reunião de 03 de março de 2008, referente à dita autorização de compra pelo Conselho:

"(...) em 2006, quando da submissão ao Conselho de Administração da compra da participação na refinaria de Pasadena, não constou do Resumo Executivo apresentado a informação sobre a 'Cláusula de Marlim', de garantia de rentabilidade da refinaria em favor da ASTRA, condição que foi oferecida na negociação como contrapartida para que fosse aceito pela Astra que a refinaria, após o 'revamp', passasse a processar setenta por cento de seu óleo processado por óleo fornecido pela Petrobras. O teor da 'Cláusula Marlim' não foi objeto de aprovação pelo Conselho de Administração quando da sua análise com vistas à aprovação da compra de participação na refinaria de Pasadena." (Ata da Reunião 1.304)

Nesta mesma reunião, a Diretoria Executiva informa ao Conselho de Administração da Petrobras que apuraria os impactos dessa omissão e eventuais responsabilidades, nos seguintes termos:

"(...) por outro lado, considerando essa ausência de pronunciamento do Conselho sobre o tema (compra dos 50% das ações remanescentes), a Diretoria Executiva comunicou sua intenção de identificar se os termos de tal cláusula entraram efetivamente em vigor, se foram aplicados em algum momento e também avaliar os eventuais impactos, prejuízos e responsabilidades dela decorrentes." (Ata da reunião 1.304)

Como fica evidente, o Conselho de Administração da Petrobras jamais teve conhecimento sobre as referidas cláusulas e não autorizou a aquisição voluntária da participação dos 50% restantes das ações da refinaria de Pasadena. A suposta relação de amizade - que nunca existiu - não é justificativa para encobrir um desvio de conduta como foi a omissão das informações que resultaram num prejuízo à empresa. Este teatro montado por esta pessoa que não tem credibilidade e é suspeito de crimes, não intimida a senhora presidenta Dilma Rousseff. Ela tem a consciência tranquila e reitera que as provas que demonstram as calúnias de Nestor Cerveró são contundentes.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Justiça do Paraná manda tirar do ar textos de blog com críticas à PF

O Juizado Especial Cível de Curitiba determinou que fossem retirados do ar textos publicados no blog do jornalista carioca Marcelo Auler, 60, com críticas a condutas da Polícia Federal na Operação Lava Jato, em Curitiba. A defesa do jornalista já recorreu da decisão.

Dez textos foram retirados do ar, dois deles em maio e o restante há uma semana. As sentenças do juiz Nei Roberto Guimarães, 8º Juizado, e da juíza Vanessa Bassini, do 12º Juizado, são do final de março e do início de maio, respectivamente.

As decisões atendem processo movido pelos delegados da Polícia Federal Erika Marena e Mauricio Moscardi Grillo, integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Os dois são citados nas reportagens do blog de Auler, criado há 11 meses, com textos principalmente sobre política. Com 42 anos de carreira, o jornalista tem passagens por alguns dos principais veículos de comunicação do país e foi ganhador de prêmios como o Esso de Jornalismo em 1993 por reportagem publicada na revista Veja.

Os textos removidos por ordem judicial fazem críticas à conduta da PF, por exemplo, no episódio de suposta escuta encontrada na cela de Alberto Youssef e quanto aos custos para a reforma de uma unidade da PF em Curitiba. Em outra reportagem, Auler afirma que a delegada Erika Marena fez vazamentos seletivos de delações premiadas da Lava Jato.

Segundo o advogado Rogério Bueno, que defende o jornalista, uma das sentenças determina que o blog não só retire do ar as reportagens listadas no processo como deve se abster de divulgar novas matérias, diz a sentença, "com conteúdo capaz de ser interpretado como ofensivo ao reclamante [delegado Grillo]".

Para o defensor, trata-se de "censura prévia". Ele impetrou um mandado de segurança na Turma Recursal dos Juizados Especiais na semana passada para que as reportagens voltem a ser publicadas no blog, mas o pedido foi indeferido nesta segunda-feira (30). Bueno pretende recorrer agora ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O jornalista disse defender o direito democrático de pessoas que se sentirem atingidas pela imprensa de recorrer à Justiça, mas fez críticas à decisão judicial.

"O absurdo é o juiz censurar, mais ainda sem pedir antes que se apresente provas. O absurdo é a censura, ela não pode existir", disse Auler. Procurados, os dois juízes disseram que não têm nada a comentar.

A advogada que representa os dois delegados da PF, Márcia Marena, afirma que em nenhum momento foi determinado pelo Judiciário que se retirassem reportagens sobre a Lava Jato, mas sim que se retirasse conteúdo considerado ofensivo.

Em nota, a defesa afirma que os delegados "respeitam e admiram o jornalismo investigativo, sério e baseado em fatos, independentemente se positivos ou negativos à Operação Lava Jato". Diz, porém, que Auler, "mais do que criticar, passou a, reiteradamente, acusá-los de crimes, sem que tenham, em momento algum de sua trajetória profissional, respondido procedimento disciplinar ou criminal". "É esse comportamento arbitrário, que falta com a verdade e se esconde atrás de preceitos tão valiosos, como o da liberdade de expressão, o que os delegados buscam rechaçar", diz o comunicado.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Conversa de Renan Calheiros com Sérgio Machado

LEIA TRECHOS DOS DIÁLOGOS

Primeira conversa:
SÉRGIO MACHADO - Agora, Renan, a situação tá grave.
RENAN CALHEIROS - Grave e vai complicar. Porque Andrade fazer [delação], Odebrecht, OAS. [falando a outra pessoa, pede para ser feito um telefonema a um jornalista]
MACHADO - Todos vão fazer.
RENAN - Todos vão fazer.
MACHADO - E essa é a preocupação. Porque é o seguinte, ela [Dilma] não se sustenta mais. Ela tem três saídas. A mais simples seria ela pedir licença...
RENAN - Eu tive essa conversa com ela.
MACHADO - Ela continuar presidente, o Michel assumiria e garantiria ela e o Lula, fazia um grande acordo. Ela tem três saídas: licença, renúncia ou impeachment. E vai ser rápido. A mais segura para ela é pedir licença e continuar presidente. Se ela continuar presidente, o Michel não é um sacana...
RENAN - A melhor solução para ela é um acordo que a turma topa. Não com ela. A negociação é botar, é fazer o parlamentarismo e fazer o plebiscito, se o Supremo permitir, daqui a três anos. Aí prepara a eleição, mantém a eleição, presidente com nova...
[atende um telefonema com um jornalista]
RENAN - A perspectiva é daquele nosso amigo.
MACHADO - Meu amigo, então é isso, você tem trinta dias para resolver essa crise, não tem mais do que isso. A economia não se sustenta mais, está explodindo...
RENAN - Queres que eu faça uma avaliação verdadeira? Não acredito em 30 dias, não. Porque se a Odebrecht fala e essa mulher do João Santana fala, que é o que está posto...
[apresenta um secretário de governo de Alagoas]
MACHADO - O Janot é um filho da puta da maior, da maior...
RENAN - O Janot... [inaudível]
MACHADO - O Janot tem certeza que eu sou o caixa de vocês. Então o que que ele quer fazer? Ele não encontrou nada nem vai encontrar nada. Então ele quer me desvincular de vocês, mediante Ricardo e mediante e mediante do Paulo Roberto, dos 500 [mil reais], e me jogar para o Moro. E aí ele acha que o Moro, o Moro vai me mandar prender, aí quebra a resistência e aí fudeu. Então a gente de precisa [inaudível] presidente Sarney ter de encontro... Porque se me jogar lá embaixo, eu estou fodido. E aí fica uma coisa... E isso não é análise, ele está insinuando para pessoas que eu devo fazer [delação], aquela coisa toda... E isso não dá, isso quebra tudo isso que está sendo feito.
RENAN - [inaudível]
MACHADO - Renan, esse cara é mau, é mau, é mau. Agora, tem que administrar isso direito. Inclusive eu estou aqui desde ontem... Tem que ter uma ideia de como vai ser. Porque se esse vagabundo jogar lá embaixo, aí é uma merda. Queria ver se fazia uma conversa, vocês, que alternativa teria, porque aí eu me fodo.
RENAN - Sarney.
MACHADO - Sarney, fazer uma conversa particular. Com Romero, sei lá. E ver o que sai disso. Eu estou aqui para esperar vocês para poder ver, agora, é um vagabundo. Ele não tem nada contra você nem contra mim.
RENAN - Me disse [inaudível] 'ó, se o Renan tiver feito alguma coisa, que não sei, mas esse cara, porra, é um gênio. Porque nós não achamos nada.'
MACHADO - E já procuraram tudo.
RENAN - Tudo.
MACHADO - E não tem. Se tivesse alguma coisa contra você, já tinha jogado... E se tivesse coisa contra mim [inaudível]. A pressão que ele quer usar, que está insinuando, é que...
RENAN - Usou todo mundo.
MACHADO - ...está dando prazos etc é que vai me apartar de vocês. Mesma coisa, já deu sinal com a filha do Eduardo e a mulher... Aquele negócio da filha do Eduardo, a porra da menina não tem nada, Renan, inclusive falsificaram o documento dela. Ela só é usuária de um cartão de crédito. E esse é o caminho [inaudível] das delações. Então precisa ser feito algo no Brasil para poder mudar jogo porque ninguém vai aguentar. Delcídio vai dizer alguma coisa de você?
RENAN - Deus me livre, Delcídio é o mais perigoso do mundo. O acordo [inaudível] era para ele gravar a gente, eu acho, fazer aquele negócio que o J Hawilla fez.
MACHADO - Que filho da puta, rapaz.
RENAN - É um rebotalho de gente.
MACHADO - E vocês trabalhando para poder salvar ele.
RENAN - [Mudando de assunto] Bom, isso aí então tem que conversar com o Sarney, com o teu advogado, que é muito bom. [inaudível] na delação.
MACHADO - Advogado não resolve isso.
RENAN - Traçar estratégia. [inaudível]
MACHADO - [inaudível] quanto a isso aí só tem estratégia política, o que se pode fazer.
RENAN - [inaudível] advogado, conversar, né, para agir judicialmente.
MACHADO - Como é que você sugeriria, daqui eu vou passar na casa do presidente Sarney.
RENAN - [inaudível]
MACHADO - Onde?
RENAN - Lá, ou na casa do Romero.
MACHADO - Na casa do Romero. Tá certo. Que horas mais ou menos?
RENAN - Não, a hora que você quiser eu vou estar por aqui, eu não vou sair não, eu vou só mais tarde vou encontrar o Michel.
MACHADO - Michel, como é que está, como é que está tua relação com o Michel?
RENAN - Michel, eu disse pra ele, tem que sumir, rapaz. Nós estamos apoiando ele, porque não é interessante brigar. Mas ele errou muito, negócio de Eduardo Cunha... O Jader me reclamou aqui, ele foi lá na casa dele e ele estava lá o Eduardo Cunha. Aí o Jader disse, 'porra, também é demais, né'.
MACHADO - Renan, não sei se tu viu, um material que saiu na quinta ou sexta-feira, no UOL, um jornalista aqui, dizendo que quinta-feira tinha viajado às pressas...
RENAN - É, sacanagem.
MACHADO - Tu viu?
RENAN - Vi.
MACHADO - E que estava sendo montada operação no Nordeste com Polícia Federal, o caralho, na quinta-feira.
RENAN - Eu vi.
MACHADO - Então, meu amigo, a gente tem que pensar como é que encontra uma saída para isso aí, porque isso aí...
RENAN - Porque não...
MACHADO - Renan, só se fosse imbecil. Como é que tu vai sentar numa mesa para negociar e diz que está ameaçado de preso, pô? Só quem não te conhece. É um imbecil.
RENAN - Tem que ter um fato contra mim.
MACHADO - Mas mesmo que tivesse, você não ia dizer, porra, não ia se fragilizar, não é imbecil. Agora, a Globo passou de qualquer limite, Renan.
RENAN - Eu marquei para segunda-feira uma conversa inicial com [inaudível] para marcar... Ela me disse que a conversa dela com João Roberto [Marinho] foi desastrosa. Ele disse para ela... Ela reclamou. Ele disse para ela que não tinha como influir. Ela disse que tinha como influir, porque ele influiu em situações semelhantes, o que é verdade. E ele disse que está acontecendo um efeito manada no Brasil contra o governo.
MACHADO - Tá mesmo. Ela acabou. E o Lula, como foi a conversa com o Lula?
RENAN - O Lula está consciente, o Lula disse, acha que a qualquer momento pode ser preso. Acho até que ele sabia desse pedido de prisão lá...
MACHADO - E ele estava, está disposto a assumir o governo?
RENAN - Aí eu defendi, me perguntou, me chamou num canto. Eu acho que essa hipótese, eu disse a ele, tem que ser guardada, não pode falar nisso. Porque se houver um quadro, que é pior que há, de radicalização institucional, e ela resolva ficar, para guerra...
MACHADO - Ela não tem força, Renan.
RENAN - Mas aí, nesse caso, ela tem que se ancorar nele. Que é para ir para lá e montar um governo. Esse aí é o parlamentarismo sem o Lula, é o branco, entendeu?
MACHADO - Mas, Renan, com as informações que você tem, que a Odebrecht vai tacar tiro no peito dela, não tem mais jeito.
RENAN - Tem não, porque vai mostrar as contas. E a mulher é [inaudível].
MACHADO - Acabou, não tem mais jeito. Então a melhor solução para ela, não sei quem podia dizer, é renunciar ou pedir licença.
RENAN - Isso [inaudível]. Ela avaliou esse cenário todo. Não deixei ela falar sobre a renúncia. Primeiro cenário, a coisa da renúncia. Aí ela, aí quando ela foi falar, eu disse, 'não fale não, pelo que conheço, a senhora prefere morrer'. Coisa que é para deixar a pessoa... Aí vai: impeachment. 'Eu sinceramente acho que vai ser traumático. O PT vai ser desaparelhado do poder'.
MACHADO - E o PT, com esse negócio do Lula, a militância reacendeu.
RENAN - Reacendeu. Aí tudo mundo, legalista... Que aí não entra só o petista, entra o legalista. Ontem o Cassio falou.
MACHADO - É o seguinte, o PSDB, eu tenho a informação, se convenceu de que eles é o próximo da vez.
RENAN - [concordando] Não, o Aécio disse isso lá. Que eu sou a esperança única que eles têm de alguém para fazer o...
MACHADO - [Interrompendo] O Cunha, o Cunha. O Supremo. Fazer um pacto de Caxias, vamos passar uma borracha no Brasil e vamos daqui para a frente. Ninguém mexeu com isso. E esses caras do...
RENAN - Antes de passar a borracha, precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo [inaudível] fazer. Primeiro, não pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a delação e estabelece isso.
MACHADO - Acaba com esse negócio da segunda instância, que está apavorando todo mundo.
RENAN - A lei diz que não pode prender depois da segunda instância, e ele aí dá uma decisão, interpreta isso e acaba isso.
MACHADO - Acaba isso.
RENAN - E, em segundo lugar, negocia a transição com eles [ministros do STF].
MACHADO - Com eles, eles têm que estar juntos. E eles não negociam com ela.
RENAN - Não negociam porque todos estão putos com ela. Ela me disse e é verdade mesmo, nessa crise toda –estavam dizendo que ela estava abatida, ela não está abatida, ela tem uma bravura pessoal que é uma coisa inacreditável, ela está gripada, muito gripada– aí ela disse: 'Renan, eu recebi aqui o Lewandowski,
querendo conversar um pouco sobre uma saída para o Brasil, sobre as dificuldades, sobre a necessidade de conter o Supremo como guardião da Constituição. O Lewandowski só veio falar de aumento, isso é uma coisa inacreditável'.
MACHADO - Eu nunca vi um Supremo tão merda, e o novo Supremo, com essa mulher, vai ser pior ainda. [...]
MACHADO - [...] Como é que uma presidente não tem um plano B nem C? Ela baixou a guarda. [inaudível]
RENAN - Estamos perdendo a condição política. Todo mundo.
MACHADO - [inaudível] com Aécio. Você está com a bola na mão. O Michel é o elembto número um dessa solução, a meu ver. Com todos os defeitos que ele tem.
RENAN - Primeiro eu disse a ele, 'Michel, você tem que ficar calado, não fala, não fala'.
MACHADO - [inaudível] Negócio do partido.
RENAN - Foi, foi [inaudível] brigar, né.
MACHADO - A bola está no seu colo. Não tem um cara na República mais importante que você hoje. Porque você tem trânsito com todo mundo. Essa tua conversa com o PSDB, tu ganhou uma força que tu não tinha. Então [inaudível] para salvar o Brasil. E esse negócio só salva se botar todo mundo. Porque deixar esse Moro do jeito que ele está, disposto como ele está, com 18% de popularidade de pesquisa, vai dar merda. Isso que você diz, se for ruptura, vai ter conflito social. Vai morrer gente.
RENAN - Vai, vai. E aí tem que botar o Lula. Porque é a intuição dele...
MACHADO - Aí o Lula tem que assumir a Casa Civil e ser o primeiro ministro, esse é o governo. Ela não tem mais condição, Renan, não tem condição de nada. Agora, quem vai botar esse guizo nela?
RENAN - Não, [com] ela eu conversa, quem conversa com ela sou eu, rapaz.
MACHADO - Seguinte, vou fazer o seguinte, vou passar no presidente, peço para ele marcar um horário na casa do Romero.
RENAN - Ou na casa dele. Na casa dele chega muita gente também.
MACHADO - É, no Romero chega menos gente.
RENAN - Menos gente.
MACHADO - Então marco no Romero e encontra nós três. Pronto, acabou. [levanta-se e começam a se despedir] Amigo, não perca essa bola, está no seu colo. Só tem você hoje. [caminhando] Caiu no seu colo e você é um cara predestinado. Aqui não é dedução não, é informação. Ele está querendo me seduzir, porra.
RENAN - Eu sei, eu sei. Ele quem?
MACHADO - O bicho daqui, o Janot.
RENAN - Mandando recado?
MACHADO - Mandando recado.
RENAN - Isso é?
MACHADO - É... Porra. É coisa que tem que conversar com muita habilidade para não chegar lá.
RENAN - É. É.
MACHADO - Falando em prazo... [se despedem]
Segunda conversa:
MACHADO - [...] A meu ver, a grande chance, Renan, que a gente tem, é correr com aquele semi-parlamentarismo...
RENAN - Eu também acho.
MACHADO - ...paralelo, não importa com o impeach... Com o impeachment de um lado e o semi-parlamentarismo do outro.
RENAN - Até se não dá em nada, dá no impeachment.
MACHADO - Dá no impeachment.
RENAN - É plano A e plano B.
MACHADO - Por ser semi-parlamentarismo já gera para a sociedade essa expectativa [inaudível]. E no bojo do semi-parlamentarismo fazer uma ampla negociação para [inaudível].
RENAN - Mas o que precisa fazer, só precisa tres três coisas: reforma política, naqueles dois pontos, o fim da proibição...
MACHADO - [Interrompendo] São cinco pontos:
[...]
RENAN - O voto em lista é importante. [inaudível] Só pode fazer delação... Só pode solto, não pode preso. Isso é uma maneira e toda a sociedade compreende que isso é uma tortura.
MACHADO - Outra coisa, essa cagada que os procuradores fizeram, o jogo virou um pouco em termos de responsabilidade [...]. Qual a importância do PSDB... O PSDB teve uma posição já mais racional. Agora, ela [Dilma] não tem mais solução, Renan, ela é uma doença terminal e não tem capacidade de renunciar a nada. [inaudível]
[...]
MACHADO - Me disseram que vai. Dentro da leniência botaram outras pessoas, executivos para falar. Agora, meu trato com essas empresas, Renan, é com os donos. Quer dizer, se botarem, vai dar uma merda geral, eu nunca falei com executivo.
RENAN - Não vão botar, não. [inaudível] E da leniência, detalhar mais. A leniência não está clara ainda, é uma das coisas que tem que entrar na...
MACHADO - ...No pacote.
RENAN - No pacote.
MACHADO - E tem que encontrar, Renan, como foi feito na Anistia, com os militares, um processo que diz assim: 'Vamos passar o Brasil a limpo, daqui para frente é assim, pra trás...' [bate palmas] Porque senão esse pessoal vão ficar eternamente com uma espada na cabeça, não importa o governo, tudo é igual.
RENAN - [concordando] Não, todo mundo quer apertar. É para me deixar prisioneiro trabalhando. Eu estava reclamando aqui.
MACHADO - Todos os dias.
RENAN - Toda hora, eu não consigo mais cuidar de nada.
[...]
MACHADO - E tá todo mundo sentindo um aperto nos ombros. Está todo mundo sentindo um aperto nos ombros.
RENAN - E tudo com medo.
MACHADO - Renan, não sobra ninguém, Renan!
RENAN - Aécio está com medo. [me procurou] 'Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa.'
MACHADO - Renan, eu fui do PSDB dez anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan.
[...]
MACHADO - Não dá pra ficar como está, precisa encontrar uma solução, porque se não vai todo mundo... Moeda de troca é preservar o governo [inaudível].
RENAN - [inaudível] sexta-feira. Conversa muito ruim, a conversa com a menina da Folha... Otavinho [a conversa] foi muito melhor. Otavinho reconheceu que tem exageros, eles próprios tem cometido exageros e o João [provável referência a João Roberto Marinho] com aquela conversa de sempre, que não manda. [...] Ela [Dilma] disse a ele 'João, vocês tratam diferentemente de casos iguais. Nós temos vários indicativos'. E ele dizendo 'isso virou uma manada, uma manada, está todo mundo contra o governo.'
MACHADO - Efeito manada.
RENAN - Efeito manada. Quer dizer, uma maneira sutil de dizer "acabou", né.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Temer, o Barbalho paulista

Por Fernando de Barros e Silva,  diretor de redação da revista piauí.
Protestos contra corrupção levaram ao poder Temer, o 'Barbalho paulista'
Vai ser difícil explicar às crianças como um movimento feito em nome da decência na vida pública conduziu Michel Temer à Presidência. As mobilizações populares contra a roubalheira na política – “as maiores já vistas na história do país”, como não se cansou de repetir – vieram a desembocar na ascensão ao topo da República de gente como Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Romero Jucá. Este último, antigo parceiro de viagem do novo chefe do Executivo, além de investigado pela Operação Lava Jato, ganha de presente o Ministério do Planejamento. Deve ter sido a forma que Temer encontrou para homenagear o princípio da presunção da inocência e o estado democrático de direito no país.

Os menos cínicos dirão que o xis da questão não é o Planejamento, mas a Fazenda: “Não é a decência, é a economia, estúpido.’’ De fato, no conjunto de fatores que pesaram para a destituição da presidente (as revelações da Lava Jato, a perda de controle sobre o Congresso, o isolamento político, a incapacidade de se comunicar), a debacle econômica foi o decisivo. Dilma deixa como legado uma terra arrasada. E é sobre os escombros de sua gestão ruinosa que Michel Temer fincará a bandeira da “salvação nacional” para anunciar seu governo de emergência. Apresenta como cartão de visitas ao país a sua turma de notórios e oferece como garantia ao mercado a figura supostamente notável de Henrique Meirelles – um dublê de banqueiro cosmopolita e político goiano filiado ao partido de Gilberto Kassab. Se o PSD é o genérico do PMDB, Meirelles se tornou o faz-tudo do liberalismo à moda brasileira. Como disse Fernando Henrique Cardoso sobre Temer, em entrevista recente à Folha: ele “é o que tem”. Gente mais séria e bem-intencionada, como Armínio Fraga, percebeu o cheiro da coisa e pulou fora. Notórios e notáveis se confundem no lusco-fusco do país sob nova direção.

Não há, de boa-fé, como contornar a chicana que está na origem de um processo de impeachment cujo artífice foi Eduardo Cunha, pelas razões que se conhece. E, no entanto, todos o aceitaram, com entusiasmo ou por omissão, fazendo cara de paisagem – do Supremo Tribunal Federal aos meios de comunicação, do empresariado a setores expressivos da sociedade civil, passando pela ampla maioria do Congresso. Feito o serviço, tratou-se de providenciar a faxina para apagar os vestígios da cena do crime – com o auxílio da Rede Globo, da revista Veja e companhia, o Supremo agiu mais ou menos como The Cleaner, o personagem vivido por Harvey Keitel em Pulp Fiction. Eduardo Cunha está morto e o impeachment está lavado. Inaugura-se entre nós, assim, algo como a era do “golpe a seco”. O retrocesso institucional em curso está sendo vendido como vitória da democracia. Para quem vê de fora, o país hoje se parece um pouco mais do que parecia ontem com alguma republiqueta da América Central.



“Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha.” Há cerca de cinquenta dias, inspirado àquela altura pela nomeação de Lula para a Casa Civil, recorri em outro artigo à frase-síntese do Bandido da Luz Vermelha. Na antevéspera da votação do impeachment pelo Senado, quando Waldir Maranhão entrou em cena, a máxima do anti-herói de Rogério Sganzerla voltou imediatamente à minha cabeça. O parafuso da avacalhação dava mais uma volta.

Maranhão é um personagem de chanchada. Podemos imaginá-lo – ele e seu bigode – no Canal Brasil, no papel de um dentista libidinoso numa daquelas produções nacionais dos anos 70. É patético que o governo deposto tenha por um instante depositado nele a esperança de reverter o destino de Dilma. Depois de tantos vexames, o PT poderia ter ficado sem mais esse.

A deterioração em marcha, no entanto, não se resume à figura folclórica de mais um presidente acidental da Câmara, tampouco às ações desesperadas do grupo político que acaba de ser apeado do poder. “Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha” é uma frase que também serve perfeitamente aos vitoriosos do momento. Sua tradução, nesse caso, seria a seguinte: “Quem não tem voto, chega ao poder por um atalho.” Ou, se quiserem: o Bandido da Luz Vermelha cedeu lugar ao Bandido do Pato Verde-Amarelo.

Ao contrário das razões mobilizadas como pretexto legal ao impeachment, que soam bizantinas e configuram um óbvio casuísmo político (aqui também a avacalhação dá o ar da graça), as razões para a impugnação da chapa Dilma-Temer parecem muito mais substantivas. Multiplicaram-se ao longo dos últimos meses as evidências de que a pilhagem da Petrobras durante os governos de Lula e Dilma foi uma das fontes de recursos ilícitos da campanha presidencial de 2014. Este, como se sabe, é um assunto para o Tribunal Superior Eleitoral, e seu andamento independe do resultado do impeachment. Na prática, porém, a convocação de novas eleições é carta fora do baralho (ou, na melhor das hipóteses, um coringa que só reaparecerá no jogo na eventualidade, hoje pouco provável, de um fracasso precoce e retumbante de Michel Temer).

O novo bloco de centro-direita que assume o comando do país contará com ampla base parlamentar, além de ter a bênção do Judiciário, a torcida da mídia e o entusiasmo do empresariado. A figura vazia de Temer será de certa forma refém deste amálgama conservador que o pariu em laboratório. Para que seu governo dê certo, falta apenas combinar com o povo – sim, porque nem ele nem seus amigos da pesada representam o sentimento das classes médias que foram às ruas contra o PT nem, muito menos, a massa pobre que se decepcionou com o governo petista por outras razões, mas não se confunde com o movimento verde-amarelo.



Em momentos de sinceridade, quando está entre amigos, Fernando Henrique Cardoso chama Michel Temer de “Jader Barbalho paulista”. Uma rápida consulta à Wikipédia basta para esclarecer de onde surgiu a comparação que o ex-presidente inventou para consumo privado. E, no entanto, eis o que faz o PSDB: depois de ter sido decisivo para a aprovação do impeachment, resolve aceitar a parte que lhe cabe na Esplanada na gestão do Jader paulista.

O partido que nasceu em 1988 de uma dissidência do PMDB – troque o M da mentira pelo S da sinceridade, dizia a campanha dos tucaninhos ainda no berçário – volta agora ao poder a reboque do mesmo PMDB, sem o respaldo do voto popular e na condição de coadjuvante, depois de ter chegado à Presidência pela via das urnas por duas vezes e sofrido quatro derrotas sucessivas para o PT de Lula.

Em 1991, contrariando FHC e Tasso Jereissati, Mário Covas impediu que os tucanos embarcassem na canoa furada do governo Collor. Hoje, o afilhado de Covas, Geraldo Alckmin, menos por princípio do que por cálculo eleitoral, tentou em vão evitar que o partido pulasse na canoa de Temer. A fome de Serra era tanta que seria capaz de aceitar até o Ministério da Pesca. Para Aécio, engolfado pela Lava Jato, não parece restar muita opção depois de ter atuado pessoalmente como linha auxiliar de Eduardo Cunha e conduzido a legenda que preside para o trilho da delinquência legislativa.

Que os tucanos nunca foram propriamente um partido não é novidade, mas agora, no mundo pós-petista, podem perder inclusive o status de clube eleitoral preferido da elite, título que ostentam desde a criação do Real. Diante do caldo de cultura que fermenta nas ruas e da demanda cada vez mais nítida por uma representação de direita puro-sangue, o PSDB parece um pouco deslocado no meio do caminho, e corre o risco de ficar estigmatizado como um agrupamento de frouxos: teria veleidades sociais demais para ser de direita e compromissos históricos de menos com a desigualdade para cavar um espaço no campo progressista. A disputa pela hegemonia desse campo com vistas à sucessão de 2018 se dará entre Marina Silva, Ciro Gomes e o próprio PT, cuja capacidade de liderar um novo projeto de esquerda para o país está mais do que nunca ameaçada depois do revés histórico.

Nesse quadro, não é casual que a ladainha da opção parlamentarista tenha voltado a circular com força nas trombetas do colunismo político ligado ao tucanato. O próprio Michel Temer, em entrevista recente a Gerson Camarotti, da GloboNews, admitiu que não teria objeção à “tese do parlamentarismo a partir de 2018”, endossando um dos pontos programáticos do PSDB e, em particular, uma das obsessões de Serra, por razões óbvias. Na madrugada de hoje, quando foi à tribuna para defender o impeachment de Dilma, o senador tucano não perdeu a oportunidade de responsabilizar o presidencialismo como parte importante da crise brasileira.

Sob a discurseira em torno das vantagens do sistema parlamentarista – o mesmo que foi rejeitado pela população em referendo em 1993 –, existe o fato fundamental de que esta seria a maneira mais segura de conduzir alguém como Serra ao poder sem passar pelo crivo popular. Num país tão desigual, com graus ainda exasperantes de exclusão econômica e social, pouca cultura democrática e escassa participação dos pobres nos processos decisórios, o parlamentarismo é um atalho para a elitização institucional da política. Nas atuais circunstâncias, seria uma espécie de golpe dentro do golpe. Já começou a ser gestado.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

PT irrita Exército

Por Eliane Cantanhêde
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, reagiu com irritação à Resolução do Diretório Nacional do PT sobre Conjuntura, aprovada na última terça-feira, em que o partido, em meio críticas à própria atuação e ao governo Dilma Rousseff, incluiu um “mea culpa” por não ter aproveitado seus 13 anos no poder para duas providências em relação às Forças Armadas: modificar o currículo das academias militares e promover oficiais com “compromisso democrático e nacionalista”.

“Com esse tipo de coisa, estão plantando um forte antipetismo no Exército”, disse o comandante ao Estado, considerando que os termos da resolução petista _ e não apenas às Forças Armadas _ “remetem para as décadas de 1960 e de 1970″ e têm um tom “bolivariano”, ou seja, semelhante ao usado pelos regimes de Hugo Chávez e agora de Nicolás Maduro na Venezuela e também por outros países da América do Sul, como Bolívia e Equador.

Segundo o general Villas Boas, o Exército, como Marinha e Aeronáutica, atravessam todo esse momento de crises cumprindo estritamente seu papel constitucional e profissional, sem se manifestar e muito menos sem tentar interferir na vida política do país. Ele espera, no mínimo, reciprocidade. Além dele, oficiais de altas patentes se diziam indignados contra a resolução do PT. Há intensa troca de telefonemas nas Forças Armadas nestes dois últimos dias.

Eis o parágrafo da Resolução do PT que irritou o Exército, na página 4 do documento:

“Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de 5 verbas publicitárias para os monopólios da informação.”