terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Trump contra a imprensa

Editorial - Estadão
“Estou em guerra contra a imprensa”, declarou no sábado o presidente Donald Trump. Na segunda-feira, confirmando o confronto com os meios de comunicação, quase todos “desonestos” na opinião do sucessor de Barack Obama, e deixando clara a atitude autoritária com que a nova administração pretende conduzir o relacionamento com os jornalistas, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, foi categórico a respeito das divergências sobre o tamanho dos públicos que compareceram à posse de Trump e à de seu antecessor, em 2009: “Este (o de Trump) foi o maior público que testemunhou uma posse. Ponto”.

Como em uma guerra normalmente há um vencedor e um derrotado, tem-se que Donald Trump estaria empenhado em prestar à maior democracia do mundo o desserviço de impor à imprensa – e por extensão à liberdade de informação e expressão – uma fragorosa derrota. A medida da desimportância que Trump atribui à liberdade de imprensa – um dos esteios da democracia norte-americana – é revelada pelo fato de, entre as bravatas, exageros populistas, promessas grandiosas e defesa emotiva dos “valores” culturais do país contidos em seu discurso de posse, não tenha sobrado espaço para uma simples menção, mesmo crítica, ao papel da imprensa.

Poucos dias após sua posse na chefia do governo da maior potência ocidental, o magnata mantém-se fiel ao estilo do outsider populista sem papas na língua que surpreendeu a todos, dentro e fora de seu país, primeiro derrotando quase 20 concorrentes para se tornar o candidato republicano à Casa Branca, e depois se elegendo presidente por obra do sistema de sufrágio indireto a partir de colégios eleitorais, embora tenha ficado quase 3 milhões de votos atrás de sua concorrente, a democrata Hillary Clinton, na soma da votação popular.

Para quem imaginava que Trump, depois de assumir a Presidência, adotaria posições menos polêmicas em relação a temas delicados como o papel da imprensa, a ação coordenada da Casa Branca executada já no sábado, o dia seguinte à posse, deixou clara a intenção do novo presidente de sustentar uma atitude hostil aos jornalistas e aos veículos de comunicação. Além do secretário de Imprensa, Sean Spicer, que fez seu primeiro briefing oficial sem permitir que perguntas fossem formuladas, o chefe de gabinete Reince Priebus e a assessora presidencial Kellyane Conway sustentaram na segunda-feira o fogo contra a imprensa, com declarações agressivas. Spicer havia afirmado no sábado que as emissoras de TV manipularam as imagens da posse de Trump com a intenção de fazer parecer que a presença de público era menor do que fora na primeira posse de Obama, em 2009. E garantiu, sem fornecer fontes da informação, que havia pelo menos 1,5 milhão de pessoas aplaudindo Trump, contestando as avaliações dos veículos de comunicação, que falaram em 700 mil, na hipótese mais otimista. Em 2009, a posse de Obama foi prestigiada por 1,8 milhão de pessoas.

O chefe de gabinete, Priebus, reagiu com indignação ao que chamou de “ataques” da imprensa e afirmou: “A questão não é o tamanho da multidão. São os ataques e a tentativa de deslegitimar o presidente. Não aceitaremos isso. Vamos lutar com unhas e dentes todos os dias”. Por sua vez, a assessora Conway procurou minimizar a importância das informações falsas sobre o público da posse fornecidas por Spicer com o argumento de que se tratava apenas de “fatos alternativos”.

A atitude de Trump em relação aos jornalistas e ao jornalismo leva a supor que, doravante, no que depender da Casa Branca, haverá um permanente confronto entre a realidade do país e a verdade oficial. Os tais “fatos alternativos” deverão proliferar. Experiência que o Brasil conhece bem. Mas, para consolo dos amantes da liberdade, as bravatas e trapaças de Trump estão condenadas ao destino que lhes reserva a sabedoria de um de seus mais ilustres antecessores, Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por pouco tempo; a poucos por todo o tempo; jamais a todos por todo o tempo”. Já aconteceu por aqui.

Entrevista de Rodrigo Silva

Pode explicar melhor a história dessa carta?
Nós tínhamos brigado feio e resolvi passar uns dias na casa da minha mãe por conta da minha filha, que mora no interior. Quando cheguei em casa para ter notícias dela, porque já havia ouvido sobre o acidente, encontrei a carta em cima da mesa da sala. Ela estava embaixo de um peso — ainda a rasguei quando puxei. Fizemos um ano [de relacionamento] na semana da morte dela. Estou muito triste e arrasado. É como se ela soubesse o que aconteceria…. ela disse “na tristeza e nos pesares”…
Você também devia estar no avião? Como assim?
Sim. Essa viagem estava marcada desde novembro. Iria ela, eu e alguns amigos do Carlos Alberto [Filgueiras]. Só não fomos antes por causa da agenda apertada dele. A Maíra era uma pessoa muito cativante que conquistava as pessoas. Ela fez uma grande amizade com o Carlos Alberto porque tinha sido a única a tirar as dores que ele tinha. Segundo ele próprio contou, tinha uma fisioterapeuta que tentava há dois dois anos tirar as dores, algo que a Maíra conseguiu em dois meses. Ela sempre o atendia, e ele o convidou para ir a Paraty. Ela, então, disse que não poderia ir sozinha, pois namorava. O Carlos Alberto autorizou me levar, mas queria me conhecer antes. Em novembro, eu o conheci em um jantar em seu apartamento. Era uma pessoa muita humilde e gentil e tinha um grande apreço por ela. Soube também que ele tratava muito bem os funcionários, oferecendo, inclusive, um almoço por ano em seu apartamento. Por mais que ela tivesse uma imensa amizade com o Carlos, jamais viajaria sozinha com ele. Ou iria comigo ou com a mãe. Eu só não fui porque brigamos feio uns dias antes. Agora penso que essa briga pode ter salvado minha vida. Será que, se eu tivesse morrido também, a história seria diferente, não teria tanta especulação?”
Brigaram por quê?
Por coisas bobas. Sou ciumento. Ela também. Ela era ainda muito nova [24 anos], eu nem tanto. Eram brigas frequentes, mas sempre voltávamos atrás e ficávamos bem. O nosso amor era muito intenso.
Sabe como ela conheceu o Carlos Alberto Filgueiras?
Eles se conheceram há uns 6, 7 meses por indicação de um amigo dele que era cliente dela. Eu tinha montado uma sala de massoterapia para ela em casa. Uma ressalva: é preciso tirar esse estigma de que massagem tem a ver com putaria… Isso não é verdade. São profissionais super sérios. Pessoas que praticam massoterapia são habilitadas em vários tipos de massagem — shiatsu, modeladora, quik, sueca, quiropraxia e outras mais. Ela havia feito um curso de masso com um massagista famoso do Spa Blue Garden. Ela também tinha entrado na faculdade de fisioterapia por ter ligação com a massoterapia. Para complementar a renda, nós também vendíamos sucos detox que produzíamos. O Carlos também era cliente dela nisso.
Ela também dava aulas de dança, não?
Sim, dança era a paixão da vida dela. Dançava desde os 16 anos. E tinha montado a primeira escola de dança da cidade dela [Juína, no interior do Mato Grosso]. Depois, veio para São Paulo para conseguir melhores oportunidades na dança. Só que ela teve uma lesão no pé, o que atrapalhou a carreira dela como dançarina. Um médico indicou a massagem. Ela melhorou e acabou se interessando e se especializando nisso depois.
Vocês tinham planos para o futuro?
Tínhamos planos de montar uma clínica. Ela já tinha muitos clientes, desde pessoas com problemas de lesões até outros com doenças graves. Ela era muito boa no que fazia. Ela queria que eu fizesse o curso [de massagem] também e pensávamos em montar uma clínica assim que ela terminasse o segundo semestre da faculdade.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

PT mergulha na ficção

Editorial - Estadão
Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva dá tratos à bola para se livrar da cadeia, os intelectuais petistas preparam propostas para “resgatar” a imagem do PT, a serem apresentadas ao 6.º Congresso Nacional do partido, marcado para abril. Nesse contexto, duas questões se destacam: a que é objeto dos textos Balanço de Governo Estrutura e Funcionamento, voltados para uma avaliação crítica da atuação do PT desde a primeira eleição de Lula à Presidência da República, e Luta Contra a Corrupção, dedicado à análise dos desvios éticos dos petistas desde que chegaram ao poder. Trata-se, de um lado, de elucubrações requentadas sobre o papel da esquerda na política brasileira. De outra parte, a que cuida de corrupção, todo o conteúdo também é puramente ficcional.

Para entender melhor a enrascada em que o PT está metido desde que o povo brasileiro descobriu quem são de verdade Lula e sua turma, convém rememorar os primórdios da fundação daquele que se propunha a ser “o” partido dos trabalhadores. Empenhados no combate à ditadura militar, intelectuais de esquerda, aliados a setores ditos “progressistas” da Igreja Católica, chegaram à conclusão, em meados dos anos 70, de que precisavam de alguém que personificasse a luta pela democratização do País e que este papel era perfeito para um jovem e aguerrido líder sindical que então se destacava no comando da elite do movimento operário: Lula, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

Naquela época Lula não queria nem ouvir falar de política e políticos, pelos quais nutria indisfarçável desprezo, comparável apenas ao que dedicava a intelectuais e acadêmicos. Mas logo descobriu que a liderança de um partido político “de operários” lhe cairia bem, até porque estava certo – como demonstrou acima de qualquer dúvida – de que não teria nenhuma dificuldade para enquadrar devidamente os “professores” que imaginavam poder manipulá-lo.

Durante mais de 20 anos, o PT lutou contra tudo e contra todos, inclusive contra a Constituição de 1988, o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e, principalmente, contra a economia de mercado. Até que Lula se deu conta de que estava tudo errado, mas com o próprio PT. E que, para ganhar uma eleição presidencial – a terceira que disputaria, em 2002 –, era preciso fazer aquilo que hoje, no documento Estrutura e Funcionamento, a esquerda petista critica: “deslocou-se para o centro” e “deixou vago o espaço político de esquerda”. O instrumento dessa guinada foi a famosa Carta ao Povo Brasileiro, por meio da qual – denuncia agora o documento Balanço de Governo – Lula propôs “um pacto de não agressão em relação aos capitalistas” e, em vez da “ruptura” até então defendida pelo PT, optou por promover programas sociais “sem confrontar o capital”.

Fica claro, assim, que a esquerda do PT continua mais bolivariana do que nunca e defende para o Brasil a mesma “ruptura” com a economia de mercado que colocou Cuba e Venezuela onde estão hoje. Para esses salvadores da Pátria nostálgicos dos anos 50 do século passado, o Brasil precisa de um regime “democrático” totalmente controlado pelo Estado, com “proibição de bancos privados, limites regionais para propriedades rurais”, além, é claro, de um bom controle da mídia por meio da criação de um “Fundo de Defesa da Liberdade de Imprensa e do horário sindical gratuito na TV”.

Essa é uma pregação até capaz de ainda animar corações e mentes de jovens sonhadores, generosos e mal informados. E assim esse ideário poderá voltar ao programa partidário. O mais difícil, na verdade, impossível, é o PT chegar a um acordo sobre o tema “Combate à Corrupção”. A ideia é criar um “tribunal de honra” no qual personalidades do partido sejam julgadas internamente por eventuais transgressões éticas e legais. Dá para imaginar Lula sentado no banco dos réus desse tribunal?

O notório Marco Aurélio Garcia, um dos donos do partido que cultivam irrepreensível fidelidade ao Grande Chefe, deu o recado: “O 6.° Congresso do PT não é um tribunal nem será ocasião para um ajuste de contas mesquinhas entre tendências”. Perfeitamente claro.

domingo, 22 de janeiro de 2017

E agora?

Por Eliane Cantanhede - Estadão
Se até as leis e os próprios artigos da Constituição são passíveis de interpretação e adaptações às circunstâncias ou ao interesse do País, imaginem-se os regimentos... Não fosse assim, os julgamentos do Supremo Tribunal Federal, que reúne, em tese, os mais brilhantes juristas, seriam sempre por unanimidade. Não são e, até por isso, há 11 ministros, um número ímpar, para evitar constrangedores empates.

Nestes dias de luto pela morte do ministro Teori Zavascki, justo ele!, a presidente Cármen Lúcia e seus colegas têm se debruçado menos sobre leis e mais sobre o regimento da Corte, buscando algo essencial em política, mas teoricamente evitado no Direito: o consenso. A escolha do novo relator da Lava Jato, a maior investigação de corrupção de todos os tempos, tem de seguir o regimento, mas deve também recorrer às brechas para evitar uma pessoa errada, na hora errada, no lugar errado – o oposto de Teori.

Aguardar a nomeação do novo ministro do tribunal pelo presidente Michel Temer? Fazer um sorteio eletrônico incluindo todo o plenário? Ou um sorteio entre os integrantes da Segunda Turma? Remanejar um ministro da Primeira para a Segunda Turma e ungi-lo relator? Ou Cármen Lúcia analisar as brechas, ouvir os seus pares, recorrer ao seu decantado bom senso e avocar poderes para “determinar a redistribuição” da relatoria da Lava Jato (artigo 68)?

Cada uma dessas soluções, contempladas nos artigos 38 e 68 do regimento, tem problemas, suscita dúvidas e pode gerar desgaste. Mas a menos responsável é a do sorteio. Sorteio em casos dessa gravidade é falta de critério, comodismo, até covardia. Aperta-se um botão e sai de lá o sortudo – ou azarado? – relator da Lava Jato? Pode estar no regimento, mas não parece razoável. Todos os ministros, em tese, têm preparo técnico para a função, mas a questão envolve também independência, serenidade, discrição e credibilidade na opinião pública.

Uma trapaça da sorte

Por Luiz Roberto Barroso - Ministro do STF
"Quem faz grandes coisas,
E delas não se envaidece,
Esse realiza o céu em si mesmo"
Lao Tsé, Tao Te Ching

É muito difícil fugir do lugar comum nos momentos de perdas trágicas. A impermanência é o símbolo maior da nossa humanidade. A morte, a única certeza plena dessa vida. Pode acontecer a qualquer um, a qualquer momento. Mas nunca é hora. O Brasil, o Supremo e os amigos não estavam preparados para viver sem Teori Zavascki.

Subitamente, nos demos conta de como precisávamos dele. Discreto, avesso a holofotes, Teori ficaria imensamente incomodado com a comoção que causou e a atenção que está recebendo.

Não foram poucas as decisões emblemáticas que passaram por suas mãos em tempos recentes. Entre elas, a possibilidade de execução da pena após a condenação em segundo grau; o afastamento da presidência da Câmara dos Deputados de parlamentar sob acusações graves; a prisão de um senador da República acusado de interferir com investigação em curso. Para citar as que tiveram mais visibilidade.

O Brasil vive um momento difícil e grave. Parece haver uma conspiração de circunstâncias negativas. Mas é possível, também, interpretar os acontecimentos como uma virada histórica na direção de um país melhor e maior.

Teori tinha essa percepção, e supervisionava a Operação Lava Jato aristotelicamente: com virtude, razão prática e coragem moral. Continuar o trabalho de mudar o patamar ético do Brasil, com a mesma determinação e serenidade, será a forma mais digna de homenageá-lo.

Teori foi também um professor de primeira linha, que ensinou por muitos anos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e produziu alguns livros clássicos. Há poucos meses, por insistência minha, ele havia se integrado ao Programa de Pós-Graduação do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), onde lecionaríamos juntos. Também lá fará uma falta imensa.

Enfim, caberá ao noticiário enumerar os fatos da sua vida pública e de sua trajetória como magistrado e acadêmico. Aproveito o espaço que resta para um breve depoimento pessoal.

Éramos amigos próximos, mas recentes. Fomos nomeados para o Supremo Tribunal Federal com poucos meses de distância. Antes de virar juiz, estive despachando com ele diversas vezes, postulando direitos que me pareciam legítimos.

Admirava-o tanto pela cortesia e consideração com que tratava advogados anônimos quanto pela nossa fraterna e espirituosa convivência no Tribunal. A gente na vida ensina sendo. Teori Zavascki era um bom exemplo disso.

Teori tinha a simplicidade das pessoas profundas. O senso de humor de quem é verdadeiramente sério. A desafetação intelectual de quem sabe bem do que está falando. Amigo é a pessoa com quem você pode simplesmente ficar calado, contar uma derrota ou chorar mágoas. Seguro de ouvir uma palavra de alento de um interlocutor de boa-fé.

Teori era mais de prudências do que de ousadias. Mais de tradições do que de modernidades. Talvez, por isso mesmo, de uma forma dialética e afetuosa, nos completávamos.

Não faz muitas semanas que eu disse a ele, em plenário: "O país teve muita sorte de tê-lo como relator da Lava Jato". Com o estilo de sempre, e um sorriso maroto, respondeu: "Quem não teve sorte fui eu". Olhando agora, a constatação é inevitável: nenhum de nós teve.

Sentado em um restaurante longe de casa, devastado de tristeza, a comida esfriando na minha frente, escrevo essas palavras como quem chora. Com tinta, em vez de lágrimas. Ajude-nos aí de cima, amigo.

Sigamos a Luz do Mundo

Por Cardeal Orani Tempesta
A primeira leitura da missa do III Domingo do Tempo Comum (Is 8,23b-9,3) nos fala que “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu! Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade! Todos se regozijam em tua presença”. Esse texto nos recorda o Natal e também a Páscoa! Irmãos, esta luz que ilumina as trevas, que dissipa as sombras da morte, que traz a felicidade é Jesus.

O texto do Evangelho deste domingo (Mt 4,12-23) no-lo confirma: Jesus é a bendita luz de Deus que brilhou neste mundo! Ele mesmo afirmou: “Eu sou a luz do mundo! Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”! (Jo 8,12). Já escutamos tanto tais afirmações que corremos o risco de não perceber o quanto são revolucionárias, o quanto nos comprometem, o quanto são capazes de transformar a nossa vida.

Pois esse Jesus, hoje, no Evangelho, nos convida a convertermo-nos a Ele, a segui-Lo de verdade, a colocar os passos de nossa vida no Seu caminho: “Convertei-vos! O Reino dos céus está próximo”! (cf. Mt 4,17). Eis o apelo que Jesus nos faz – far-nos-á sempre! Converter-se significa mudar totalmente o rumo de nossa existência, alicerçando-a Nele e não em nós, abraçando o Seu modo de pensar e deixando o nosso, seguindo Sua Palavra e não nossa razão, nossas ideias, nossa cabeça dura, nosso entendimento curto. Quem vai arriscar? Quem vai caminhar com Ele? Quem vai abraçar Sua Palavra, tão diferente do que o mundo quer, do que o mundo prega, do que o mundo valoriza? “Convertei-vos”! Jesus nos exorta porque sabe que também nós andamos em trevas, também nós, simplesmente entregues à nossa vontade e aos nossos pensamentos, jamais poderemos acolher o Reino dos céus! Não nos iludamos! Não pensemos que somos sábios, centrados e imunes! Somos, nós também, cegos, curtos de entendimento, pecadores duros e teimosos! Nosso coração é embotado por tantas paixões e por tantas cegueiras! “Convertei-vos”!

Queridos irmãos e irmãs, como não recordar a exortação do Apóstolo? “Não andeis como andam os pagãos, na futilidade de seus pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus”! (Ef 4,17). Quando aceitamos esse desafio, esse convite, o sentido de nossa existência muda, porque começamos a enxergar e avaliar as coisas de um modo novo, um modo diferente: o modo de Cristo Jesus! Aí se realiza em nós a palavra da Escritura: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor! Andai como filhos da luz”! (Ef 5,8).

O Evangelho também nos apresenta o chamamento dos primeiros Apóstolos: “Ele chamou enquanto caminhava junto ao mar da Galiléia. Estes homens experimentaram o fascínio da luz que emanava d´Ele e seguiram-na sem demora para que iluminasse, com o seu fulgor, o caminho das suas vidas. Mas essa luz de Jesus resplandece para todos. Jesus Cristo, luz do mundo, chamou primeiro uns homens simples da Galiléia, iluminou as suas vidas, ganhou-os para a Sua causa e pediu-lhes uma entrega sem condições. Aqueles pescadores da Galiléia saíram da penumbra de uma vida sem relevo nem horizonte para seguirem o Mestre, tal como outros o fariam logo após, e depois já não cessariam de fazê-lo inúmeros homens e mulheres ao longo dos séculos. Seguiram-No até darem a vida por Ele. Nós também somos chamados a segui-Lo!

Jesus inicia o Seu ministério e prega a conversão: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo” (Mt 4, 17). A conversão (Doc. de Aparecida, nº 278b) “é a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê Nele pela ação do Espírito Santo, decide ser Seu amigo e ir após Ele, mudando a sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida. No Batismo e no sacramento da Reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo”. (Retirado do site: http://noticias.cancaonova.com/mundo/resumo-do-documento-final-da-v-conferencia-de-aparecida/ Último acesso em: 11/01/2017)

A mensagem de Cristo sempre entrará em choque com uma sociedade contagiada pelo materialismo e por uma atitude conformista e aburguesada perante a vida. “Sê forte” (Sl 26, 14). Poderíamos perguntar-nos hoje se no nosso círculo de relações somos conhecidos por essa coerência de vida, pelo exemplo na atuação profissional, ou no estudo, se somos estudantes; pelo exercício diário das virtudes humanas e sobrenaturais, com a coragem e o esforço perseverante a que nos incita o Espírito Santo. Deus chama-nos a todos para que sejamos reflexos da luz do mundo, que não pode ficar escondida: “Somos lâmpadas que foram acesas com a luz da verdade”. (Santo Agostinho)

Peçamos a Deus o dom de ser “luz”. Assim, sejamos luz de Cristo na nossa profissão e em todos os ambientes de que participamos. “Como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Nós, cristãos, somos portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras”. (Aparecida nº 30)

sábado, 21 de janeiro de 2017

Discurso de posse de Donald Trump

"Chefe de Justiça Roberts, presidente Carter, presidente Clinton, presidente Bush, presidente Obama, colegas americanos e pessoas do mundo: obrigado.

Nós, os cidadãos da América, estamos agora unidos em um grande esforço nacional para construir nosso país e restaurar sua promessa para todo o nosso povo. Juntos, iremos determinar o curso da América e do mundo por muitos, muitos anos. Enfrentaremos desafios, confrontaremos dificuldades. Mas faremos o serviço.

A cada quatro anos nos reunimos nesta escadaria para conduzir a ordeira e pacífica transferência de poder. E somos gratos ao presidente Obama e à primeira-dama Michelle Obama por sua graciosa ajuda durante essa transição. Eles foram magníficos. Obrigado.

A cerimônia de hoje, no entanto, tem um significado muito especial porque hoje não estamos apenas transmitindo o poder de uma administração a outra ou de um partido ao outro, mas estamos transferindo o poder de Washington, D.C., e o devolvendo a vocês, o povo.

Por muito tempo, um pequeno grupo na capital de nossa nação colheu as recompensas do governo enquanto o povo assumiu o custo. Washington floresceu, mas o povo não compartilhou sua riqueza. Políticos prosperaram mas os empregos foram embora e as fábricas fecharam. O sistema se protegeu, mas não aos cidadãos de nosso país.

As vitórias dele não foram as suas vitórias. O triunfo dele não foi o de vocês. E enquanto eles celebravam em nossa capital, havia pouco para celebrar para famílias em dificuldade ao redor de todo o país. Tudo isso muda, começando aqui e agora, porque este momento é seu momento: ele pertence a vocês. Ele pertence a todos reunidos aqui hoje e todos assistindo em todos os Estados Unidos. Este é seu dia. Esta é sua celebração. E este, os Estados Unidos da América, é seu país.


O que realmente importa não é qual partido controla nosso governo, mas se nosso governo é controlado pelo povo. 20 de janeiro de 2017 será lembrado como dia em que o povo se tornou o comandante desta nação novamente. Os homens e mulheres esquecidos de nosso país não serão mais esquecidos. Todos estão ouvindo vocês agora. Vocês vieram aos milhões para se tornar parte de um movimento histórico, do tipo que o mundo nunca viu antes. Ao centro deste movimento está uma convicção crucial de que uma nação existe para servir aos seus cidadãos.

Americanos querem ótimas escolas para seus filhos, vizinhanças seguras para suas famílias e bons empregos para si. Essas são demandas justas e razoáveis de pessoas direitas e de um público direito.

Mas, para muitos de nossos cidadãos, uma realidade diferente existe. Mães e crianças presas na pobreza das zonas carentes de nossas cidades, fábricas enferrujadas espalhadas como lápides pela paisagem de nosso país. Um sistema educacional cheio de dinheiro, mas que deixa nossos jovens e belos estudantes desprovidos de conhecimento. E o crime as gangues e as drogas que roubaram tantas vidas e roubaram tanto potencial não realizado de nosso país. Essa carnificina americana acaba aqui e acaba agora.

Somos uma única nação - e a dor deles é nossa dor. Os sonhos deles são nossos sonhos, e o sucesso deles será nosso sucesso. Dividimos um único coração, um lar e um glorioso destino. O juramento do cargo que faço hoje é um juramento de lealdade a todos os americanos. Por muitas décadas enriquecemos a indústria estrangeira às custas da indústria americana. Subsidiamos os exércitos de outros países enquanto permitíamos ao muito triste esgotamento de nosso poder militar. Nós defendemos as fronteiras de outros países enquanto nos recusamos a defender as nossas próprias. E gastamos trilhões e trilhões de dólares além mar, enquanto a infraestrutura dos Estados Unidos caiu em degradação e deterioração.

Nós tornamos outros países ricos enquanto a riqueza, a força e a confiança do nosso país se dissipou no horizonte. Uma por uma, as fábricas fecharam e deixaram nosso solo sem nem pensar nos milhões e milhões de trabalhadores americanos que foram deixados para trás. A riqueza da nossa classe média foi arrancada de suas casas e depois redistribuída ao redor do mundo. Mas isso é o passado, e agora nós estamos olhando só para o futuro.

Nós reunidos aqui hoje estamos emitindo um novo decreto a ser ouvido em todas as cidades, em todas as capitais estrangeiras e em todos os corredores do poder. Deste dia em diante, uma nova visão vai governar nossa terra. Deste dia em diante, vai ser só a América primeiro, a América primeiro.

Todas as decisões sobre comércio, sobre taxas, sobre imigração, sobre relações exteriores serão feitas para beneficiar os trabalhadores americanos e as famílias americanas.

Devemos proteger nossas fronteiras das devastações dos outros países fazendo nossos produtos, roubando nossas empresas e destruindo nossos empregos. A proteção vai levar a grande prosperidade e força. Vou lutar por vocês com todo o fôlego do meu corpo, e nunca vou decepcionar vocês. A América vai começar a vencer de novo, vencer como nunca antes.

Vamos trazer de volta nossos empregos. Vamos trazer de volta nossas fronteiras. Vamos trazer de volta nossa riqueza, e vamos trazer de volta nossos sonhos. Vamos construir novas estradas e rodovias e pontes e aeroportos e túneis e ferrovias ao redor da nossa nação maravilhosa.

Vamos tirar nosso povo do seguro-desemprego e colocá-los de volta ao trabalho, reconstruindo nosso país com mãos americanas e trabalho americano. Vamos seguir duas regras simples: Comprar [produtos] americanos e contratar americanos.

Vamos procurar amizade e boa vontade com as nações do mundo - mas vamos fazer isso com o entendimento de que é o direito de todas as nações colocar seus próprios interesses em primeiro lugar. Nós não buscamos impor nossa maneira de viver sobre ninguém, mas, em vez disso, deixar que ela brilhe como um exemplo a ser seguido.

Nós vamos reforçar alianças antigas e formar novas - e unir o mundo civilizado contra o terrorismo radical islâmico, que vamos erradicar completamente da face da Terra.

No alicerce das nossas políticas haverá uma lealdade total aos Estados Unidos da América, e através de nossa lealdade ao nosso país nós vamos redescobrir nossa lealdade um ao outro. Quando você abre seu coração ao patriotismo, não há lugar ao preconceito. A Bíblia nos diz "quão bom e agradável é quando o povo de Deus vive junto em unidade".

Devemos falar abertamente, debater nossos desentendimentos honestamente, mas sempre buscar a solidariedade. Quando a América está unida, a América é totalmente invencível. Não deve haver medo - estamos protegidos e sempre estaremos protegidos.

Seremos protegidos pelos grandes homens e mulheres de nossas forças armadas e da aplicação da lei. E mais importante, sempre seremos protegidos por Deus. Finalmente, devemos pensar grande e sonhar ainda maior.

Na América, entendemos que uma nação só vive enquanto estiver se esforçando. Não iremos mais aceitar políticos que são apenas discurso e nenhuma ação - constantemente reclamando, mas nunca fazendo nada a respeito. O tempo para conversas vazias acabou. Agora chega a hora da ação.


Não permitam que ninguém diga a vocês que isso não pode ser feita. Nenhum desafio pode equivaler ao coração, e à luta e ao espírito da América. Não iremos falhar. Nosso país irá crescer e prosperar novamente.

Estamos perante o nascimento de um novo milênio, prontos para desbloquear os mistérios do espaço, para libertar a terra das misérias da doença, e controlar as energias, indústrias e tecnologias de amanhã. Um novo orgulho nacional irá nos agitar, elevar nossas vistas e curar nossas divisões.

É hora de lembrar daquele ditado que nossos soldados nunca esquecerão, de que não importa se somos, negros, de outra cor ou brancos, todo sangramos o mesmo sangue vermelho dos patriotas. Todos desfrutamos das mesmas gloriosas liberdades e saudamos a mesma grande bandeira americana.
E se uma criança nasce num subúrbio de Detroit ou nas planícies varridas pelo vento de Nebraska, elas olham para o mesmo céu à noite, elas enchem seus corações com os mesmos sonhos e são insufladas com a brisa da vida pelo mesmo poderoso Criador. Então a todos os americanos, em todas as cidades próximas e distantes, de montanha a montanha, de oceano a oceano, ouçam estas palavras. Vocês nunca serão ignorados novamente. Sua voz, suas esperanças e sonhos irão definir nosso destino americano. E sua coragem, bondade e amor irão para sempre nos guiar pelo caminho. Juntos iremos tornar a América forte novamente.

Tornaremos a América rica novamente. Faremos a América orgulhosa novamente. Faremos a América segura novamente. E, sim, juntos iremos tornar a América grande novamente. Obrigado. Deus abençoe vocês. E Deus abençoe a América."